"Minha vida anda assim, meio chatinha, meio sem novidades. E toda vez que isso acontece, minha cabeça se enche de minhocas e idéias fracas. Uma idéia em especial tem insitido em "minhocar" pela minha cabeça nas horas mais inconvenientes. E quando a conversa comigo mesma chega nesse ponto, eu disfarço e mudo de assunto.
Me afundo nas coisa do trabalho e até acho que elas preenchem o vazio aqui dentro. Fico satisfeita comigo e com o futuro brilhante que eu tenho pela frente. Mas a verdade é que passo metade do dia lendo coisas na internet, escrevendo e-mails, textos que vão para alguma pasta escondida no meu gmail e me assusto quando os prazos acabam. Aí na sexta feira eu faço cara de cansada e falo "essa semana foi foda". E foi mesmo.
Levo um colchão e um cobertor para a sala de TV e faço maratona do seriado sobre pessoas abduzidas pelos humanos do futuro. O ápice da empolgação é na quinta à noite, quando tem episódio novo de Lost pra ver. E passo o resto da semana esperando o próximo e lendo especulações no orkut. (Eu adoro o Locke, digam o que quiserem!). E isso me deixa realmente feliz...
O Kung Fu é um capítulo à parte. Vou pra lá achando que meu organismo vai produzir serotonina e eu vou ficar mais feliz. Mas só os esportes feitos por prazer (e não por obrigação) produzem a porra da serotonina. Pra piorar, as meninas com quem eu mais converso ficam lá babando pro corpo dos instrutores e eu sempre sou excluída dessas conversinhas e risadinhas. E ó, vou falar que eu não faço a menor questão de participar das risadinhas pq eu simplesmente não vejo graça neles. (Pra variar um pouco, já que parece que o resto das alunas vê.) Pra mim eles são legais, me ensinam a dar chutes e socos e só.
Ok, me convenço que elas são duas feias e mal-amadas que se contentam em ficar babando e dando risadinhas e tento fazer minha melhor cara de ser superior - mas continuo conversando com elas (apesar de tudo, elas são legais). A menina nova que tem cara de ser super legal não quer papo comigo então tudo bem, eu fico na minha. Talvez ela não ache que eu tenho cara de super legal. No final das contas, o gordinho faixa laranja é o mais legal de todos (pelo menos ele não dá risadinha toda vez que um instrutor encosta nele). Eu me divirto lá. E toda vez volto pra casa feliz por ter ocupado minha noite ociosa.
Faço planos de voltar a estudar muito antes do que eu achei que precisaria. Junto apostilas de cursinho e me preparo psicologicamente para encarar logarítimos, dois-pi-erre-ao-quadrado, juros compostos e outras coisas que eu sempre gostei tanto mas já esqueci faz tempo. Mas só posso começar depois que eu arrumar minha esrivaninha e fizer todas as lições de casa de alemão que estou devendo para a professora. Meu espírito nerd ataca novamente e eu me empolgo com isso.
Maaas apesar de tudo isso, a conversa volta para o mesmo ponto. Aquele tal assunto que eu quero evitar de ter comigo. Eu posso fugir por alguns dias, talvez meses. 3 anos e meio. Uma vida inteira. Mas o mundo não para. Meu rádio liga sozinho às 6hs da manhã e eu tenho que sair da cama antes que meu celular dê outro grito escandaloso."
E de hoje em diante, tenho que aprender a ir domir e acordar mais sozinha do que nunca.